Diagnóstico de ansiedade e depressão

Evidências clínicas no manejo da ansiedade e depressão

Transtornos de ansiedade e depressão estão entre as condições psiquiátricas mais prevalentes e frequentemente coexistem. Dados globais apontam que 45,7% dos indivíduos com transtorno depressivo maior apresentam histórico de pelo menos um transtorno de ansiedade ao longo da vida, enquanto 41,6% dos pacientes com depressão, em 12 meses, também convivem com um transtorno de ansiedade no mesmo período.¹

Essa elevada taxa de comorbidade demonstra a interdependência entre ansiedade e depressão e contribui para a complexidade diagnóstica e terapêutica descrita na literatura.¹

STAR*D e a relevância da depressão ansiosa

O estudo Sequenced Treatment Alternatives to Relieve Depression (STAR*D) evidenciou a relevância da sobreposição entre ansiedade e depressão. Conforme os resultados, 53% dos pacientes com depressão maior apresentavam sintomas ansiosos significativos, sendo classificados como casos de depressão ansiosa

Na comparação entre grupos, pacientes com depressão ansiosa apresentaram menor probabilidade de remissão em relação àqueles com depressão não ansiosa. O STAR*D também mostrou que a presença de ansiedade esteve associada a maior carga de efeitos colaterais.¹

Adicionalmente, o estudo identificou que pacientes com a condição apresentaram maior gravidade do quadro clínico e níveis mais elevados de ideação suicida, em comparação àqueles com depressão maior sem sintomas ansiosos.¹

Tratamento farmacológico nos transtornos

A farmacoterapia é uma ferramenta fundamental no controle dessas condições, com evidências da eficácia de diferentes classes de medicamentos, tanto para o tratamento agudo quanto para a prevenção de recaídas.2,3

No entanto, evidências em transtorno depressivo maior indicam que fatores como adesão e persistência no uso da medicação impactam os desfechos clínicos, reforçando a necessidade de individualizar o tratamento e definir estratégias adequadas a cada paciente.4

Farmacoterapia no transtorno de ansiedade

Uma revisão sistemática e meta-análise de rede, que incluiu 89 ensaios clínicos randomizados, envolvendo mais de 25 mil pacientes com transtorno de ansiedade generalizada, demonstrou que existem diversas opções eficazes de tratamento em diferentes classes de medicamentos, cada uma com perfis distintos de eficácia e aceitabilidade.3

Entre as opções de primeira linha para o transtorno de ansiedade generalizada, destacam-se os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), que apresentam taxas de respostas variando entre 60% e 75%.3 

De forma complementar, uma revisão mais abrangente de 50 ensaios envolvendo diferentes transtornos de ansiedade estimou que a probabilidade de resposta à terapia farmacológica de primeira linha é de 67,7%, enquanto a resposta à terapia de segunda linha foi de aproximadamente 54,5%.3

Os benzodiazepínicos tiveram papel central no início do tratamento farmacológico da ansiedade e figuraram entre os primeiros agentes amplamente prescritos na prática clínica. As evidências demonstram eficácia consistente na redução dos sintomas do transtorno de ansiedade generalizada; contudo, a menor aceitabilidade, associada ao risco de dependência e às potenciais interações com álcool e opioides, impõe limitações importantes ao seu uso contínuo.3

Além das classes já mencionadas, a revisão sistemática avaliou um antipsicótico atípico no transtorno de ansiedade generalizada. Esse agente apresentou o maior efeito sobre a Escala de Ansiedade de Hamilton (HAM-A), com redução significativa dos sintomas ansiosos, porém associado a menor tolerabilidade e maior taxa de descontinuação em comparação ao placebo.3

Farmacoterapia no transtorno de depressão

No tratamento do transtorno depressivo maior, os dados de um estudo envolvendo mais de 100 mil pacientes mostraram que existem diferenças relevantes entre classes de antidepressivos em termos de resposta clínica a longo prazo.2

Os resultados do estudo publicado na Acta Psychiatrica Scandinavica indicaram que, dentro da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), foi observada manutenção de eficácia em parte dos tratamentos avaliados, sem diferenças estatisticamente significativas em relação ao comparador.2

O estudo também mostrou que, entre os inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), observou-se maior eficácia de determinados tratamentos em relação a outros da mesma classe. O mesmo ocorreu entre os antidepressivos noradrenérgicos e serotoninérgicos específicos (NaSSA), em que um dos tratamentos apresentou superioridade frente ao comparador.2 Esses resultados indicam que, dentro de cada classe, algumas opções podem oferecer vantagem clínica no manejo do transtorno depressivo maior.

Individualização e adesão como chave no tratamento

Em resumo, as evidências indicam que existem diversas opções viáveis para o tratamento, cada uma com perfis distintos de eficácia e aceitabilidade.3

Isso reforça a necessidade de que a escolha terapêutica seja individualizada.3 Nesse contexto, há também a necessidade de intervenções que apoiem a adesão à terapia planejada, fator essencial para alcançar melhores resultados clínicos.4

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Referências:

  1. KALIN, N. H. The critical relationship between anxiety and depression. American Journal of Psychiatry, v. 177, n. 5, p. 365-367, 2020.
  2. ESSING, Lars Vedel et al. Comparative responses to 17 different antidepressants in major depressive disorder: results from a 2-year nationwide population-based study. Acta Psychiatrica Scandinavica,Copenhagen, v. 149, n. 5, p. 378-388, 2024. DOI: 10.1111/acps.13673.
  3. SLEE, A. et al. Pharmacological treatments for generalised anxiety disorder: a systematic review and network meta-analysis. The Lancet, v. 393, n. 10173, p. 768-777, 2019.
  4. DI NICOLA, M. et al. Adherence to, and persistence of, antidepressant therapy in patients with major depressive disorder: results of a real-world study in Italy. Current Neuropharmacology, v. 21, n. 3, p. 727-739, 2023.


BR-EFEX-2025-00030 – nov./2025
BR-NON-2024-00084