Disfunção Erétil: evidências clínicas e abordagem multidisciplinar

Disfunção erétil: riscos, fisiopatologia e abordagem clínica
Estudos populacionais demonstram que cerca de 40% dos homens aos 40 anos apresentam algum grau de disfunção erétil (DE), percentual que sobe para quase 70% aos 70 anos. Estimativas globais projetam que o número de homens afetados dobrará de 152 milhões em 1995 para 322 milhões em 2025.1
Reconhecer precocemente a DE permite melhorar a função sexual e otimizar o manejo clínico, utilizando abordagens baseadas em inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), cuja eficácia e segurança estão comprovadas.1
Em pacientes com múltiplos fatores de risco, a disfunção erétil poderia ser o primeiro alerta de complicações futuras?
Disfunção erétil em adultos com fatores de risco múltiplos
A disfunção erétil está associada a múltiplos fatores de risco cardiovasculares e metabólicos, incluindo hipertensão, diabetes mellitus, obesidade, dislipidemia, tabagismo e doenças cardíacas. A disfunção endotelial constitui o mecanismo fisiopatológico subjacente em grande parte desses casos, compartilhando vias comuns com doenças cardiovasculares (DCV). Evidências sugerem que a DE pode preceder manifestações clínicas de DCV em até três anos, funcionando como um marcador precoce de risco cardiovascular.1
Além disso, outras condições, como hipogonadismo, sequelas de cirurgias pélvicas, incluindo prostatectomia radical, e uso de determinados medicamentos, também contribuem para o desenvolvimento da DE.1
Diante desse cenário clínico, o tratamento da disfunção erétil inclui abordagens farmacológicas, destacando-se o sildenafila, um inibidor da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), que apresenta eficácia comprovada e perfil de segurança favorável. O início de ação pode ocorrer em até 14 minutos para alguns pacientes, com duração prolongada do efeito de até 12 horas, conferindo flexibilidade na prática clínica.1
Evidências clínicas e eficácia do sildenafila na disfunção erétil
O sildenafila foi investigado em 11 ensaios clínicos pré-comercialização, duplo-cegos e controlados por placebo, utilizando o Índice Internacional de Função Erétil (IIEF) para avaliar a função erétil e, em particular, a capacidade de iniciar e manter a ereção necessária para relações sexuais, além de um indicador geral de eficácia (GEQ).1
Em 6 desses 11 estudos, os pacientes registraram cada evento de atividade sexual. Para análise, os pacientes foram organizados em subgrupos considerando idade, etnia, índice de massa corporal, duração e causa da disfunção erétil, tabagismo e uso de outros medicamentos simultâneos.1
A análise dos diferentes subgrupos nos ensaios clínicos revelou que os pacientes tratados com sildenafila apresentaram proporções significativamente maiores de relações sexuais bem-sucedidas, variando entre 52,6% e 80,1%, em contraste com 14,0% a 34,5% observadas nos grupos placebo.1
Após 12 semanas, a proporção de pacientes que relataram melhora nas ereções variou de 46,5% a 87% no grupo tratado com sildenafila, enquanto nos subgrupos que receberam placebo os valores ficaram entre 11,3% e 41,3%. Os subgrupos em ambos os braços do estudo estavam equilibrados, assegurando que os resultados fossem comparáveis.1
Quanto à satisfação do tratamento, avaliada pelo questionário Erectile Dysfunction Inventory of Treatment Satisfaction (EDITS), os pacientes tratados com sildenafila apresentaram pontuação média significativamente maior (73,6 ± 3,2) em comparação com o grupo placebo (48,4 ± 3,2; p < 0,001).1
O efeito da medicação não é significativamente alterado pelo consumo moderado de álcool, mas refeições com alto teor de gordura podem retardar a absorção.1
As taxas de descontinuação relacionadas ao tratamento permaneceram baixas em estudos de longo prazo, variando de 2% a 6,7% ao longo de três anos, confirmando a tolerabilidade do medicamento.1
Abordagem multidisciplinar na disfunção erétil
Na prática clínica, é essencial diferenciar causas de origem orgânica das de natureza psicológica, garantindo que o paciente realmente apresente disfunção erétil e não outro distúrbio sexual, como ejaculação precoce. A investigação detalhada deve avaliar se a dificuldade erétil é persistente, se envolve perda de rigidez peniana e se há sinais que indiquem fatores psicogênicos, como início súbito, DE situacional, ereções preservadas durante masturbação ou com parceiros diferentes, presença de ereções matinais e variação significativa na função erétil ao longo do dia.²
Mesmo na ausência de sinais claros de componente psicológico, o acompanhamento de profissionais de saúde mental pode contribuir para reduzir a ansiedade relacionada ao desempenho sexual, melhorar a dinâmica do relacionamento, aumentar a adesão ao tratamento e auxiliar na definição de expectativas realistas para o casal.²
Para apoiar essa abordagem clínica, o Viatris Connect disponibiliza conteúdos científicos atualizados na área de urologia, reunindo evidências científicas que auxiliam os profissionais na condução dos cuidados.
Referências:
- HATZIMOURATIDIS, Konstantinos. Sildenafil in the treatment of erectile dysfunction: an overview of the clinical evidence. Clinical Interventions in Aging, v. 1, n. 4, p. 403–414, 2006.
- SOORIYAMOORTHY, Thushanth; LESLIE, Stephen W. Erectile Dysfunction. StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2023.

BR-VIAG-2025-00011 – nov./2025
BR-NON-2024-00084