Sildenafila: eficácia comprovada no tratamento da disfunção erétil

Eficácia da sildenafila no tratamento da disfunção erétil
A disfunção erétil (DE) é uma condição prevalente em homens a partir da quarta década de vida, com etiologia multifatorial.1
Apesar de sua alta incidência, trata-se de um quadro passível de terapia eficaz, cuja persistência não tratada pode repercutir significativamente no bem-estar psicológico e na dinâmica relacional do paciente.1
Mecanismo de ação e propriedades farmacológicas da sildenafila
A sildenafila apresenta alta seletividade pela fosfodiesterase tipo 5 (PDE5) e atua potencializando o efeito relaxante do óxido nítrico (NO) no corpo cavernoso humano. O bloqueio dessa enzima le va ao acúmulo intracelular de guanosina monofosfato cíclico (cGMP), o que intensifica a sinalização endógena mediada pela via NO–cGMP, mecanismo fundamental para a resposta erétil.2
Após administração oral, a concentração plasmática máxima é atingida em aproximadamente uma hora, com meia-vida média entre quatro e cinco horas. O início da ação pode ocorrer em cerca de 14 minutos em parte dos pacientes, mantendo-se efetiva por até 12 horas.2
A absorção pode ser reduzida e retardada por refeições com alto teor de gordura, enquanto o consumo moderado de álcool não exerce influência significativa. O uso da sildenafila requer estímulo sexual para que o mecanismo farmacológico se manifeste, característica compartilhada com os demais inibidores da PDE5.2
Estudos e características de sildenafila na população avaliada
Foram conduzidos dois estudos sequenciais, publicados no periódico The New England Journal of Medicine, envolvendo 861 homens com idade igual ou superior a 18 anos e diagnóstico clínico de disfunção erétil há pelo menos seis meses. A investigação foi realizada em 37 centros nos Estados Unidos, com inclusão restrita a indivíduos em relacionamentos estáveis há no mínimo seis meses.3
A etiologia da disfunção erétil foi determinada por meio de histórico médico, exame físico e testes diagnósticos específicos, como injeção intracavernosa de agente vasoativo, avaliação da tumescência peniana noturna por RigiScan, ultrassonografia duplex peniana e exames endócrinos. De acordo com essas avaliações, 70% dos participantes apresentaram disfunção erétil de origem orgânica, 11% psicogênica e 18% mista.3
No estudo de dose fixa, 532 homens receberam placebo ou doses de 25 mg, 50 mg ou 100 mg, administradas cerca de uma hora antes da atividade sexual, por 24 semanas. A eficácia foi mensurada pelo Índice Internacional de Função Erétil (IIEF) nas semanas 0, 12 e 24, e por avaliação global de eficácia nas semanas 12 e 24.3
No estudo de escalonamento flexível de dose, 329 homens receberam placebo ou 50 mg de sildenafila por 12 semanas, com ajuste de dose conforme resposta e tolerabilidade. Participantes elegíveis seguiram em extensão aberta por mais 32 semanas.3
As características basais foram semelhantes entre os estudos. No de dose fixa, 87% dos 532 participantes completaram as 24 semanas; no de escalonamento flexível, 93% dos 329 homens concluíram as 12 semanas.
A sildenafila apresentou relação dose-dependente com a melhora das pontuações das questões 3 e 4 do Índice Internacional de Função Erétil (IIEF), referentes à frequência de penetração e manutenção da ereção (p < 0,001). Os aumentos médios variaram de 60% a 100% para a questão 3 e de 121% a 133% para a questão 4, em contraste com 5% e 24% no placebo.3
O domínio de função erétil também apresentou incremento significativo (média de 22,1 vs. 12,2; p < 0,001), assim como os de função orgástica, satisfação com a relação e satisfação geral. O desejo sexual não mostrou diferença significativa entre os grupos (p = 0,13).3
Desempenho clínico e perfil de tolerabilidade da sildenafila
Ao final do estudo, observou-se que a sildenafila melhorou significativamente a função sexual em homens com disfunção erétil. Como esperado pelo seu mecanismo de ação, com efeito apenas em resposta à estimulação sexual, os estudos foram conduzidos em ambiente natural, e a avaliação de eficácia baseou-se nos relatos dos próprios participantes.3
O Índice Internacional de Função Erétil (IIEF) mostrou alta sensibilidade e especificidade para detectar mudanças relacionadas ao tratamento, complementado pela questão de eficácia global e pelos registros de eventos, que refletiram a resposta terapêutica ao longo do acompanhamento.3
Os eventos adversos mais frequentes, cefaleia, rubor, dispepsia e alterações visuais, foram, em sua maioria, leves e compatíveis com seu perfil farmacológico como inibidor da PDE5.3
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Referências:
- SOORIYAMOORTHY, Thushanth; LESLIE, Stephen W. Erectile Dysfunction. StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2023.
- HATZIMOURATIDIS, Konstantinos. Sildenafil in the treatment of erectile dysfunction: an overview of the clinical evidence. Clinical Interventions in Aging, v. 1, n. 4, p. 403–414, 2006.
- GOLDSTEIN, Irwin et al. Oral sildenafil in the treatment of erectile dysfunction. The New England Journal of Medicine, Boston, v. 338, n. 20, p. 1397–1404, 1998.

BR-VIAG-2025-00013
BR-NON-2024-00084