Farmacoterapia no transtorno de ansiedade

Tratamento do transtorno de ansiedade com farmacoterapia

Na prática clínica, a farmacoterapia costuma ser a estratégia inicial para o manejo do transtorno de ansiedade generalizada (TAG), principalmente devido à limitação de acesso a terapias psicológicas. Trata-se de uma condição altamente prevalente, estimando-se que cerca de 5,7% da população seja afetada ao longo da vida, e frequentemente associada a comorbidades, como a depressão, presente em até 62% dos casos.¹

Mas diante de tantas opções terapêuticas, como identificar a melhor alternativa para cada paciente?

Comparação entre classes de medicamentos para ansiedade

Uma revisão sistemática com 89 ensaios clínicos e mais de 25 mil pacientes avaliou comparativamente diferentes classes de medicamentos para ansiedade generalizada. O estudo analisou eficácia, medida pela variação na Escala de Ansiedade de Hamilton (HAM-A), e manutenção terapêutica observada pela taxa de descontinuação.¹

Os resultados mostraram que os perfis de tolerabilidade variam de forma significativa entre as classes.¹

Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN)

Os Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) se consolidaram como opção de primeira linha no TAG. As evidências demonstram benefício consistente na redução dos sintomas, com taxas de resposta que variam entre 60% e 75%, ainda que, nesse intervalo, aproximadamente um em cada quatro pacientes não alcance resposta adequada.¹

Evidências adicionais indicam que, embora reunidos sob a mesma classe, os IRSN apresentam diferenças farmacológicas que podem se refletir em nuances clínicas. Alguns agentes tendem a exercer maior influência serotoninérgica, outros distribuem de forma mais equilibrada entre serotonina e noradrenalina e há aqueles em que a ação noradrenérgica predomina.2

Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)

Assim como os IRSN, os Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são amplamente utilizados como terapia de primeira linha para o transtorno de ansiedade generalizada.¹

O perfil de aceitabilidade tende a ser mais favorável quando comparado a outras classes, o que sustenta sua posição como escolha inicial em diversos contextos clínicos.¹

Além disso, diferentes ensaios reforçam que essa classe se mantém entre as alternativas mais utilizadas, embora ainda haja necessidade de estudos adicionais para confirmar os resultados de algumas moléculas dentro do grupo.¹

Benzodiazepínicos

Os benzodiazepínicos foram a primeira classe de fármacos eficazes amplamente utilizada no tratamento da ansiedade. A metanálise em rede confirma seu efeito na redução dos sintomas, mas também indica que, em comparação ao placebo, apresentam menor tolerabilidade. Além disso, a possibilidade de efeitos negativos a longo prazo e de dependência deve ser considerada antes da prescrição, com a mesma cautela aplicada a qualquer outro medicamento psiquiátrico.¹,³

Antidepressivos tricíclicos

Embora já tenham sido avaliados como opção no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada, as evidências disponíveis ainda são bastante limitadas. Foram testados em um número reduzido de pacientes e os resultados apresentaram ampla variação estatística, o que dificulta conclusões firmes sobre sua eficácia.¹

A classe apresenta efeitos adversos relevantes, como diarreia, constipação, sonolência, boca seca e visão turva decorrentes das propriedades anticolinérgicas. Também podem causar sedação e ganho de peso por efeito anti-histamínico, além de hipotensão, vertigem e risco de arritmias e convulsões associados ao bloqueio alfa-adrenérgico e dos canais iônicos.³

Antipsicóticos atípicos

Os antipsicóticos atípicos já foram avaliados como opção no tratamento do transtorno e mostraram resultados relevantes em termos de eficácia, apresentando uma das maiores reduções nos escores de ansiedade entre os medicamentos analisados. No entanto, esse benefício clínico foi acompanhado por um perfil de tolerabilidade menos favorável, com taxas mais altas de descontinuação em comparação ao placebo. Dessa forma, apesar do efeito expressivo sobre os sintomas, a aceitabilidade limitada reduz seu papel como alternativa de primeira escolha.¹

Personalização do tratamento da ansiedade

Em suma, a revisão mostra que não há uma solução única para todos os pacientes com transtorno de ansiedade generalizada. As evidências reforçam a importância de considerar não apenas a eficácia, mas também a aceitabilidade de cada opção terapêutica, reconhecendo que a escolha mais adequada depende do perfil individual.¹

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Referências:

  1. SLEE, A. et al. Pharmacological treatments for generalised anxiety disorder: a systematic review and network meta-analysis. The Lancet, v. 393, n. 10173, p. 768-777, 2019.
  2. SANSONE, Randy A.; SANSONE, Lori A. Serotonin norepinephrine reuptake inhibitors: a pharmacological comparison. Innovations in Clinical Neuroscience, v. 11, n. 3–4, p. 37–42, 2014.
  3. BALDAÇARA, L. et al. Brazilian Psychiatric Association treatment guidelines for generalized anxiety disorder: perspectives on pharmacological and psychotherapeutic approaches. Brazilian Journal of Psychiatry, v. 46, p. e20233235, 2024.


BR-EFEX-2025-00033 – nov./2025
BR-NON-2024-00084