Relação entre depressão e ansiedade e seus impactos clínicos

Relação entre ansiedade e depressão: o que revelam as evidências científicas
Ansiedade e depressão compartilham circuitos neurais, riscos genéticos e trajetórias clínicas que desafiam classificações rígidas. Em mais de 40% dos pacientes, os sintomas se manifestam de forma simultânea, confundindo fronteiras diagnósticas e aumentando a gravidade.¹
De que forma a sobreposição entre ansiedade e depressão desafia modelos tradicionais de diagnóstico e tratamento?
Dados epidemiológicos sobre ansiedade, depressão e sua sobreposição
No contexto da depressão maior, estudos indicam que até 60% dos pacientes apresentam sintomas ansiosos associados, o que pode dificultar a distinção precisa entre os quadros, uma vez que algumas manifestações se sobrepõem.²
A presença de características ansiosas também pode contribuir de forma significativa para uma resposta insatisfatória ao tratamento inicial do transtorno depressivo maior, reforçando ainda mais a importância de uma avaliação criteriosa e atenta a esses fatores.²
Dentro desse contexto, destaca-se o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), dada sua expressiva carga epidemiológica. Considerado pela Organização Mundial da Saúde um problema de saúde pública no Brasil, o TAG afeta aproximadamente 18 milhões de pessoas, cerca de 9,3% da população, com maior predominância entre mulheres (55% a 60%).³
Além de coexistir frequentemente com o transtorno depressivo maior, o TAG apresenta correlação com comportamento suicida. Ele também pode ocorrer em associação a outras condições mentais, incluindo diferentes formas de ansiedade, depressão unipolar, transtornos relacionados ao uso de substâncias, transtornos comportamentais, psicose e alterações neurodesenvolvimentais e neurocognitivas.³
Diante desse panorama, considerar alternativas terapêuticas que atuem simultaneamente nos sintomas de ansiedade e depressão pode favorecer uma resposta mais efetiva e um cuidado mais abrangente ao paciente.
Tratamento de primeira linha para depressão maior com sintomas ansiosos
Diretrizes apontam os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs) como opções de primeira linha para o manejo da depressão maior, inclusive quando há sintomas ansiosos associados.⁴
Evidências de uma análise conjunta de oito ensaios clínicos de curta duração mostram que o tratamento com um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) resultou em melhora significativa dos escores de depressão, independentemente do nível de ansiedade. A variação média ajustada na escala MADRS foi de -16,98 pontos para os indivíduos com alta ansiedade basal e de -15,76 pontos para aqueles com baixa ansiedade basal, diferença estatisticamente significativa (p = 0,044).⁴
Algumas análises com pacientes que apresentavam níveis elevados de ansiedade no início do tratamento mostraram que aqueles que receberam inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) alcançaram taxas de resposta mais altas em comparação a outro antidepressivo. Já o uso de IRSN esteve associado a taxas significativamente superiores de remissão quando comparado a um ISRS.⁴
Além disso, em comparação ao placebo, os IRSNs apresentaram taxas de resposta clínica e de remissão significativamente maiores em ambos os subgrupos de pacientes. Entre aqueles com alta ansiedade basal, as taxas de resposta foram de 64,2% para IRSN versus 36,9% para placebo, e de remissão de 48,7% versus 26,2%. Nos pacientes com baixa ansiedade basal, os resultados foram de 58,9% versus 40,5% para resposta e de 45,8% versus 28,3% para remissão.⁴
Mesmo diante da complexidade trazida pela comorbidade, as classes ISRSs e IRSNs são estratégias eficazes, com impacto positivo em desfechos de resposta e remissão. Além disso, reforçam a importância de considerar o perfil ansioso do paciente como variável relevante no planejamento terapêutico.⁴
Aprofunde seus conhecimentos com o Viatris Connect
Em resumo, as evidências indicam que existem diversas opções viáveis para o tratamento, cada uma com perfis distintos de eficácia e aceitabilidade.3
Isso reforça a necessidade de que a escolha terapêutica seja individualizada.3 Nesse contexto, há também a necessidade de intervenções que apoiem a adesão à terapia planejada, fator essencial para alcançar melhores resultados clínicos.4
Viatris Connect: aprofundamento em saúde mental
No Viatris Connect, você encontra conteúdos atualizados, informações sobre diretrizes, materiais que apoiam a prática médica baseada em evidências e outros recursos para auxiliar nos cuidados dos pacientes com transtornos de depressão e ansiedade e sobre saúde mental. Confira!
Referências:
- KALIN, N. H. The critical relationship between anxiety and depression. American Journal of Psychiatry, v. 177, n. 5, p. 365-367, 2020.
- LAM, Raymond W. et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) 2023 Update on Clinical Guidelines for Management of Major Depressive Disorder in Adults. The Canadian Journal of Psychiatry, v. 69, n. 9, p. 1-47, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1177/07067437241245384. Acesso em: 30 out. 2025.
- BALDAÇARA, Leonardo et al. Brazilian Psychiatric Association treatment guidelines for generalized anxiety disorder: perspectives on pharmacological and psychotherapeutic approaches. Braz. J. Psychiatry, v. 46, e20233235, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.47626/1516-4446-2023-3235. Acesso em: 30 out. 2025.
- LYNDON, G. J. et al. Efficacy of venlafaxine extended release in major depressive disorder: effect of baseline anxiety symptom severity. International Clinical Psychopharmacology, v. 34, n. 3, p. 110-118, 2019.



BR-EFEX-2025-00030 – nov./2025
BR-NON-2024-00084