Transtorno de Ansiedade Generalizada: evidências e tratamento

Transtornos de ansiedade generalizada: prevalência, repercussões e manejo clínico
O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um importante problema de saúde pública no Brasil. Estima-se que acometa aproximadamente 18 milhões de indivíduos, o que corresponde a cerca de 9,3% da população. A prevalência é significativamente maior entre mulheres, que representam entre 55% e 60% dos casos registrados.¹
Diante da alta prevalência dos transtornos ansiosos, até que ponto sinais persistentes e inespecíficos podem estar sendo subestimados na prática clínica?
Manifestações clínicas e riscos do TAG
O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) caracteriza-se como um quadro de ansiedade persistente, com duração mínima de seis meses, definido pela presença de preocupação excessiva e apreensão constante diante de múltiplas circunstâncias da vida diária. O espectro sintomático é amplo e envolve tanto componentes psíquicos quanto físicos.¹
As manifestações somáticas mais comuns incluem tensão muscular, inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade e alterações do sono. Também podem estar presentes sinais de hiperatividade autonômica, como palpitações e sudorese.¹
O transtorno não é decorrente do uso de substâncias químicas nem de condições médicas gerais. Em alguns casos, observa-se a presença concomitante de outros quadros psiquiátricos, como depressão unipolar, demais transtornos de ansiedade, transtornos relacionados ao uso de substâncias e alterações neurocognitivas ou do desenvolvimento.¹
A prevalência global do transtorno de ansiedade generalizada foi estimada em 4,5%, com variações significativas entre diferentes contextos socioeconômicos. Observa-se menor incidência em países de baixa e média renda, onde a taxa é de 2,8%, em comparação com países de alta renda, cuja prevalência atinge 5,3%.
Entre os indivíduos que apresentaram TAG, apenas 34,6% relataram ter recebido algum tipo de atendimento ao longo da vida.¹
Esses dados evidenciam não apenas a alta prevalência do transtorno, mas também sua relevância clínica, uma vez que sintomas ansiosos configuram fator de risco para eventos cardiovasculares e apresentam correlação significativa com comportamento suicida.¹
Abordagens terapêuticas no TAG
O manejo do transtorno de ansiedade generalizada pode envolver tanto a farmacoterapia quanto intervenções psicológicas, aplicadas isoladamente ou de forma combinada. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é considerada uma das principais estratégias não farmacológicas, com evidências de efetividade e segurança; contudo, sua implementação pode ser restrita pela escassez de recursos.²
ISRS e IRSN no tratamento do TAG
Considerando esse panorama, a abordagem farmacológica segue representando o tratamento predominante para o TAG.² Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e inibidores da recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSN) são recomendados de forma consistente por diretrizes e meta-análises como tratamentos de primeira linha para o transtorno, reforçando a relevância no cuidado desses pacientes.²
As estimativas superiores de resposta clínica para ISRS e IRSN variam de aproximadamente 60% a 75%, o que significa que uma parcela significativa dos pacientes com TAG pode experimentar redução substancial dos sintomas ansiosos sob essas terapias.³
Além disso, os dados indicam aceitabilidade favorável, uma vez que os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e da norepinefrina (IRSN) demonstraram eficácia em comparação ao placebo em grandes amostras cumulativas, sem aumento das taxas de descontinuação.³
A consistência dos achados em múltiplos ensaios clínicos reforça a eficácia dos ISRS e IRSN na redução dos sintomas de ansiedade. Esses resultados, aliados ao perfil de aceitabilidade observado, explicam por que essas classes farmacológicas são recomendadas como opções de primeira linha para o manejo do transtorno de ansiedade generalizada.²,³
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Referências:
- BALDAÇARA, Leonardo et al. Brazilian Psychiatric Association treatment guidelines for generalized anxiety disorder: perspectives on pharmacological and psychotherapeutic approaches. Brazilian Journal of Psychiatry, v. 46, e20233235, 2024. DOI: 10.47626/1516-4446-2023-3235.
- KONG, Wenqiang et al. Comparative Remission Rates and Tolerability of Drugs for Generalised Anxiety Disorder: A Systematic Review and Network Meta-analysis of Double-Blind Randomized Controlled Trials. Frontiers in Pharmacology, v. 11, p. 580858, 2020.
- FSLEE, April et al. Pharmacological treatments for generalised anxiety disorder: a systematic review and network meta-analysis. The Lancet, v. 393, n. 10173, p. 768-777, 2019.


BR-EFEX-2025-00029 – nov./2025
BR-NON-2024-00084