Transtorno depressivo maior em mulheres

Depressão em mulheres: desafios e tratamento do transtorno depressivo maior

O transtorno depressivo maior (TDM) é aproximadamente duas vezes mais frequente em mulheres do que em homens, predominando justamente no período de maior demanda física e emocional: os anos reprodutivos

Diante disso, surge a questão: até que ponto o TDM em mulheres tem sido reconhecido e tratado com a urgência necessária?

Prevalência e relevância clínica do TDM em mulheres

Embora o transtorno depressivo maior (TDM) seja mais comum em mulheres, a prática clínica ainda esbarra em desafios importantes. As recomendações de tratamento raramente consideram as diferenças fisiológicas e hormonais entre os sexos, apesar de sabermos que variações nos níveis de esteroides sexuais podem impactar diretamente a absorção, a distribuição, o metabolismo e a atividade dos fármacos.¹

Diversas condições não psiquiátricas podem ampliar o risco de TDM, incluindo distúrbios metabólicos, cardiovasculares, inflamatórios e até quadros dermatológicos, como a acne. A relação, frequentemente bidirecional, reforça a complexidade do manejo clínico. Esse risco se intensifica ainda mais em fases de transição hormonal, como no período perinatal e na perimenopausa, quando o organismo feminino passa por mudanças significativas.2

Nesse período, a condição pode afetar até 12,7% das gestantes, trazendo repercussões significativas não apenas para a saúde da mulher, mas também para a saúde fetal. Reconhecendo esse risco, diretrizes internacionais recomendam triagem focada e manejo acelerado da condição em mulheres.¹

Frente a esse panorama, estudos clínicos com mais de 900 mulheres evidenciaram melhora significativa nos escores de depressão quando tratadas com um agente da classe inibidor seletivo da recaptação de serotonina (ISRS), em comparação ao placebo.¹

O benefício não apenas foi estatisticamente relevante ao final de oito semanas, mas já se manifestava a partir da segunda semana de tratamento, reforçando a capacidade dessa classe terapêutica de oferecer resposta rápida e consistente.¹

Esses achados consolidam os ISRS como uma ferramenta essencial e segura para o manejo do TDM em mulheres, incluindo aquelas em idade fértil

Consistência e segurança dos ISRS no tratamento do TDM em mulheres

Evidências de longo prazo indicam que, dentro da classe dos ISRS, os padrões de resposta se mantêm consistentes, oferecendo segurança tanto na fase aguda quanto na manutenção do tratamento. Um estudo publicado pela Acta Psychiatrica Scandinavica, com mais de 100 mil pacientes, entr e eles homens e mulheres, acompanhados por dois anos, mostrou que os ISRS apresentam taxas de não-resposta relativamente homogêneas, com algumas variações discretas entre os diferentes representantes da classe.³

Essa consistência é relevante diante dos desafios no tratamento do transtorno depressivo maior, em que a escolha do medicamento deve equilibrar eficácia e aceitabilidade. Não à toa, diretrizes internacionais já recomendam os ISRS como primeira escolha no tratamento do TDM, ressaltando sua relação entre efetividade, menor risco de efeitos adversos e melhor adesão quando comparados a outras classes.³

Complementando esse cenário, investigações conduzidas em contextos de prática clínica indicam que a resposta aos ISRS se mantém elevada mesmo em subtipos de depressão frequentemente mais desafiadores, como os quadros melancólicos, ansiosos ou associados a uma depressão crônica prévia.4

Ainda que algumas diferenças sutis tenham sido observadas, como uma velocidade de resposta menor em pacientes mais velhos ou com depressão crônica associada, a eficácia global foi preservada. Além disso, pacientes que não haviam respondido a outros antidepressivos também demonstraram melhora significativa quando tratados com essa classe.

Outro ponto importante é a boa tolerabilidade observada em contextos de prática clínica, nos quais as taxas de eventos adversos e de abandono foram menores do que as relatadas em ambientes de pesquisa controlada.4

Viatris Connect: suporte científico em Sistema Nervoso Central

O cuidado em saúde mental, especialmente no contexto do transtorno depressivo maior em mulheres, demanda atualização constante e acesso a informações de confiança. O Viatris Connect foi desenvolvido para oferecer esse suporte, reunindo conteúdos científicos que auxiliam na prática médica e favorecem uma abordagem integrada no campo do Sistema Nervoso Central (SNC).

 

Referências:

  1. FAGIOLINI, Andrea et al. The preponderance of major depressive disorder among women of reproductive age and the clinical utility of sertraline. European Psychiatry, Siena, v. 65, suppl. S535, 2024. DOI: 10.1192/j.eurpsy.2024.1111.
  2. LAM, Raymond W.; KENNEDY, Sidney H. et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) 2023 clinical guidelines for the management of major depressive disorder in adults. Canadian Journal of Psychiatry, Toronto, v. 69, n. 9, p. 641-687, 2023. DOI: 10.1177/07067437241245384.
  3. KESSING, Lars Vedel et al. Comparative responses to 17 different antidepressants in major depressive disorder: results from a 2-year nationwide population-based study. Acta Psychiatrica Scandinavica,Copenhagen, v. 149, n. 5, p. 378-388, 2024. DOI: 10.1111/acps.13673.
  4. LYDIARD, R. Bruce et al. Treatment with sertraline for major depression in clinical practice and in clinical trials: a comparison. Journal of Clinical Psychiatry, Charleston, v. 1, n. 5, p. 154-162, 1999.


BR-FRON-2025-00032 – nov./2025
BR-NON-2024-00084